Cajuína São Geraldo

Irmãos Sousa

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Texto retirado da obra Os Construtores de Juazeiro escrito por Dário Maia Coimbra em 1999

Na vida sócio-comercial-industrial de Juazeiro, uma família tem destaque especial. São os irmãos Sousa. Temos condições de falar sobre seus integrantes, pois os conhecimentos destes que eles eram simples trabalhadores em outras firmas.

José, o mais velho, depois de haver tentado a profissão de sapateiro, passou para o setor comerciário, empregando-se no estabelecimento do senhor Luciano Teófilo de Melo, que possuía um misto de comércio-indústria. Trabalhador da melhor espécie, adquiriu rapidamente a confiança do patrão. Era a fábrica São Geraldo, que produzia bebidas diversas, vaselina, perfume e diversos outros produtos. Não sabemos como ocorreu o desligamento de José de Sousa da firma citada. Quando o conhecemos, já foi como fabricante de aguardente, vinho e refrigerante. Foi o inventor da Cajuína São Geraldo, produto que não será preciso falar pois, a qualidade deste refrigerante transpôs as fronteiras estaduais.

Mas, antes de ser o parque industrial que é hoje, a fábrica funcionava em um cantinho da Rua Conceição com Rua 15 de Novembro. As garrafas eram levadas uma a uma manualmente, e nas mesmas era introduzido o delicioso refrigerante em uma máquina na pedal; o rótulo também obedece o mesmo sistema, e o caju era prensado de maneira rudimentar.

Eis aí como funcionava a fábrica que, após uma luta Insana, com a irmandade toda concentrada em seus diversos setores, foi paulatinamente crescendo e hoje é um gigantesco parque industrial, onde além de “primogênita” Cajuína conta com o engarrafamento de Crush, Gini-Limão, Gini-Cola, água mineral e em preparativos para lançar a cajuína enlatada.

José Amâncio de Souza é o diretor-presidente que não se envaidece, consultando sempre seus irmãos para as decisões fabrís, aquisição de maquinário, compra de terreno e tudo concernente para aumentar o desenvolvimento da empresa.

Além das atividades comerciais e industriais, José de Sousa teve tempo para ajudar a sociedade de juazeirense, tendo integrado o quadro do Rotary e é membro há muitos anos do movimento maçônico.

Foi presidente da sociedade Pe. Cícero, é diretor da Associação Comercial e em toda a sua existência tem sido um grande colaborador da Sociedade de Amparo aos Mendigos (SAM). Nasceu em 16/03/1933.

FRANCISCO DE SOUSA – É Direito Administrativo e de Produção. Tico como é chamado na intimidade é o polivalente. Sem se intrometer nas atividades dos demais, resolve, contudo todos os assuntos, e tendo carta branca dos irmãos, não deixa ninguém sem atendimento em qualquer setor .

Não é preciso a gente se estender muito com referência ao trabalho de industrial, possuindo uma visão publicitária e de largo alcance, divulga os produtos em todos os veículos de publicidade. É o homem talhado para aquela posição estratégica. E saindo das quatro linhas de sua vida comercial-industrial, encontramos no mesmo, um currículo palpável. Fez o curso primário no Colégio Salesiano e é técnico em contabilidade, formado pela Escola Técnica de Comércio. Durante o percurso estudantil, obteve conhecimentos através de diversos cursos, principalmente na área de produção e administração de empresa.

Foi presidente do Centro Contábil Francisco D’aurea, presidiu também a União Contabilista, a União dos Operários, o Rotary Clube e é membro ativo da Loja Maçônica Cavalheiros Espartanos Nº85.

É casado com dona Maria das Graças Mendes de Sousa, casal que teve 6 filhos. Nasceu em 12/04/1937.

TARSILA SOUSA – A tranquilidade em pessoa. Tem o curso técnico em Contabilidade. Pertenceu a algumas entidades religiosas. É casada, tem dois filhos e ocupa a Diretoria Financeira.

Já que os setores produtivos são a cargo dos irmãos, Tarsila tem responsabilidade das finanças da empresa, tornando menos árdua sua tarefa, face a equipe que dirige.No começo, não. Teve que “arregaçar as mangas” para conduzir a contento a missão que lhe foi determinada. Faz pois, parte do triunvirato que transformou uma pequena fábrica de bebidas, na possante Indústria São Geraldo Ltda. Nasceu em 11/04/1935.

Além do trio citado, a Irmandade se completa com a religiosa Irmã Terezinha a comerciante Inês, e as domésticas Celina e Josefina.

(Os dados profissionais dos irmãos Sousa, obtivemos junto aos mesmos, e outros obtidos em nossa memória).

Um detalhe sobre a grandeza dos que fazem a Cajuína São Geraldo. No tempo em que a Cagece era mais deficitária em termos de fornecimento do precioso líquido, o poço profundo dessa indústria era aberto a quem quisesse, para obtenção d’água gratuitamente.

E as filas se formavam com pessoas procedentes das ruas que circulavam a fábrica. Na nossa concepção esse fato foi um dos mais expressivos e caridosos atos. Talvez o maior, porque além da serventia havia o risco de o poço secar, ou pelo menos diminuir sua vazão.

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